CPI contra Pazuello é desserviço ao país, diz deputado dr. Luiz Ovando

O deputado federal dr. Luiz Ovando (PSL-MS) diz que a oposição ao Governo Jair Bolsonaro presta desserviço ao país ao trabalhar para a instalação de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. 

Médico há 45 anos, Ovando afirma que o Congresso Nacional tem outras prioridades em 2021. “Vivemos uma pandemia e querem que o Legislativo se debruce sobre uma investigação injustificada e inconsequente. Câmara e Senado têm mais com que se preocupar”, avisa, em vídeo divulgado nas redes sociais. 

Ovando não poupa o Supremo Tribunal Federal (STF) que, em abril de 2020, decidiu que o combate ao novo coronavírus teria “competência concorrente” entre União, Estados e municípios. “O STF retirou do Governo federal a capacidade de decisão e administração da pandemia”, argumenta.

Cardiologista, clínico, geriatra e intensivista, o parlamentar afirma que o país adotou distanciamento social prematuro e irresponsável. Medida, segundo ele, negada por epidemiologistas mundiais, como o americano Donald Henderson. “Há desaceleração temporária da transmissão viral, que retorna mais forte após a redução das medidas restritivas”, explica. 

Falta de conhecimento

O médico critica o fato de as orientações sobre a Covid-19 estarem sendo transmitidas por profissionais que “vivem atrás do computador”. Entende que a população não confia mais no que ele chama de “médicos de gabinete, que fazem o jogo da desestabilização”.

No vídeo de cinco minutos, menciona o fato de o Brasil ocupar o 23º lugar em mortalidade, atrás de países de reconhecida eficiência científica, econômica e tecnológica, como Bélgica, Reino Unido, França, Rússia, Estados Unidos e Itália.

Membro do Conselho de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados, Luiz Ovando se diz assustado com a falta de conhecimento de vários profissionais sobre ‘princípios de readaptação dos seres biológicos’. “Vírus não se combate fechando tudo porque a contaminação é muito mais avassaladora”, explica.

Manaus

Sobre a falta de oxigênio em Manaus, o deputado lembra que houve carência do produto em vários países. “Faltou também em Portugal, Egito, África do Sul, Nigéria e Ásia. Em Portugal houve ainda falta de leitos e os pacientes eram tratados em cadeiras”, descreve. 

Cita a falta de oxigênio em Los Angeles, a segunda cidade mais rica dos EUA, com PIB de US$ 800 bilhões, 20 vezes maior que o de Manaus. “O consumo de oxigênio aumentou 482% em Los Angeles e 500% em Manaus”, informa. “Foi feito tudo o que era possível. Transporte de oxigênio por terra, água e ar. Tudo providenciado em tempo oportuno”.   

Sobre a acusação de que o ministro teria enviado cloroquina e hidroxicloroquina para tratamento precoce em Manaus, o parlamentar garante que esses medicamentos funcionam, mencionando estudo científico que mostra recuperação de até 91,7% dos pacientes infectados, tratados por dez dias.

O parlamentar atribui a mobilização por CPI ao fato de o Ministério da Saúde ter o maior orçamento entre os ministérios. “O ministro Pazuello trancou o cofre. Ele não quer dar trabalho à Polícia Federal, como aconteceu na liberação dos recursos para enfrentamento à pandemia. Ele mesmo previne a contravenção”, avisa.